Ministro destaca capacidade sul-africana em construção naval, aeronáutica e armamento, e aponta cooperação militar como base para atrair investimento
Maputo - O ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, defendeu, numa sexta-feira recente, durante uma visita oficial à África do Sul, a criação de uma "parceria estratégica" com aquele país no sector da indústria de defesa, com o objetivo de atrair investimento sul-africano para Moçambique. A informação foi avançada pela Rádio Moçambique, que citou declarações do governante sobre a capacidade industrial do país vizinho e o histórico de cooperação militar entre os dois Estados.
Por que a África do Sul interessa a Moçambique
Chume justificou a aposta citando o peso industrial sul-africano no sector: o país conta entre os poucos do continente capazes de construir navios, aeronaves, viaturas blindadas, munições e sistemas de comando, controlo e inteligência tecnologia que Maputo considera estratégica para reforçar as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). Segundo o ministro, o propósito da deslocação à indústria de defesa sul-africana foi precisamente abrir caminho para que empresas daquele país passem a investir directamente em Moçambique, e não apenas a fornecer formação ou equipamento pontual.
Décadas de formação militar conjunta
A aposta económica não nasce do zero. A África do Sul é há anos um dos principais destinos de formação para militares moçambicanos, com programas que abrangem soldados, sargentos e oficiais dos três ramos das FADM Exército, Força Aérea e Marinha de Guerra. De acordo com Chume, há actualmente contingentes de militares moçambicanos a concluir cursos em território sul-africano, incluindo formação técnica para manutenção de aeronaves, uma área crítica para manter operacional a já reduzida frota aérea militar do país.
Marinha e saúde militar entram na agenda
Durante a visita, os dois países alargaram também o leque de cooperação para a Marinha de Guerra e a Saúde Militar, áreas que o ministro classificou como estratégicas para reforçar a capacidade operacional das forças moçambicanas. O movimento surge num momento em que Moçambique tem procurado diversificar parceiros na área de defesa nos últimos meses, o país recebeu também delegações da Turquia, da China e da União Europeia interessadas em cooperação militar e industrial, sinal de uma diplomacia de defesa cada vez mais activa.
